Elas estão salvando o jornalismo impresso

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Em 1960, a jornalista e escritora americana Kay Mills foi procurar emprego no jornal Chicago Daily News. A resposta: ela não seria contratada porque já tinha quatro mulheres na redação. “Acredite: esse era um número alto para aquela época. Mas eu tenho quase certeza que palavras semelhantes nunca foram ditas a qualquer homem.” , escreveu Kay em artigo ao Nieman Reports. “Fiquei pensando no quanto as mulheres progrediram desde então.”

No entanto, sei que Kay, falecida em 2011, balançaria a cabeça em reprovação se visse a nova capa da Port. A proposta era mostrar quais jornalistas, no mundo da internet e da rápida circulação de notícias, estão fortalecendo o jornalismo em papel rumo a uma nova “era de ouro”. “Acreditamos que era hora de defender o impresso e colocamos na capa alguns editores que admiramos”, diz a carta ao leitor. E não é que todos os escolhidos são homens?

Ainda que se considere que é uma revista masculina, várias publicações estranharam a “coincidência”. Até Slate, que já teve suas derrapadas machistas aqui e ali, não deixou barato: “A escolha desses homens brancos, que representam publicações tradicionais, sugere que a Port tem uma compreensão extraordinariamente conservadora do que constitui os novos anos dourados.” Outras críticas semelhantes foram feitas por sites como The Atlantic, New Republic e Jezebel. Em sua defesa, Dan Crowe, diretor de redação da Port, disse que a capa teria sim uma mulher – Anna Wintour, da Vogue – mas ela recusou o convite. “É uma pena que não haja, por exemplo, um editor homossexual ou uma mulher negra na capa, mas infelizmente essas revistas não têm editores assim.”

Então vamos esquentar a discussão: não faltam mulheres mostrando novos caminhos para o jornalismo impresso. E a prova é essa pequena seleção que fizemos para você aí abaixo.

 

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Janice Min, The Hollywood Reporter

Ela já havia se mostrado um trator quando assumiu a direção da US Weekly em 2003 e conseguiu dobrar a circulação nos seis anos em que ocupou o cargo. Foi para o The Hollywood Reporter, uma revista sobre celebridades, onde equilibrou a divisão entre notícias online e impressas. Jogou as notícias quentes para o site, e transformou a revista em um centro de análise de como Hollywood funciona. Trata desde temas jurídicos até o passo-a-passo da criação de um programa de TV. Em poucas semanas, Janice conseguiu aumentar em 50% o valor dos anúncios da revista. Talvez fofoca de celebridade não tenha o poder de mudar o mundo como uma matéria de saúde ou pobreza da New York Times, mas ela pode salvar o papel. Leia mais.

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Katie Grand, Love Magazine

Foi a criadora da revista de moda LOVE e já fez barulho logo no começo: a primeira edição foi a revista que vendeu mais rápido na história da Condé Nast britânica, a maior editora de revistas do Reino Unido. E logo no primeiro ano, a revista deu lucro – casos raro no mercado empreendedor. O Wall Street Journal, respeitado jornal sobre economia, chamou Katie de “o coração pulsante da moda”. Leia mais.

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Jo Walker, Frankie Magazine

A Frankie é uma revista feminina diferente: nada de temas como dietas, beleza e orgasmos. No lugar, entram temas como design, artesanatos, livros, música, comida e fotografia. Sua força também vem das mídias sociais. Enquanto algumas revistas tinham medo de jogar seu conteúdo nas redes, Frankie criou uma comunidade fiel online que vai às bancas para comprá-la. Deu certo. Em 2012, enquanto as vendas de grandes revistas como Cosmopolitan e Marie Claire despencavam, a Frankie foi uma das três únicas revistas australianas que conseguiram aumentar a circulação.  Leia mais.

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Tavi Gevinson, Rookie Mag

Aos 16 anos, criou uma revista online com uma nova voz – mais real, pé no chão – para conversar com adolescentes. Todo ano, Tavi lançará uma grande edição dos melhores artigos do site, com novo design, papel de qualidade, capa dura… Uma revista por ano parece pouco? Pode ser. Mas dá para imaginar quem mais conseguiria, com tamanha maestria, fazer adolescentes largaram das mídias sociais para comprar revista em papel que mais se parece com um livro? Leia mais.

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Jill Abramson, NY Times

Saindo um pouco da área de revista: Jill foi a primeira editora executiva do NY Times em 160 anos de existência do jornal. Ela foi a responsável pelo sucesso do modelo poroso do online (aquele que libera uma quantidade fixa de matérias por mês e cobra pela liberação das outras). Reformulou o site do jornal de forma a trazer conteúdo com a mesma qualidade do impresso (além de infográficos e galerias de fotos que se tornaram referência na web). Hoje, o NY Times tem 650 mil assinantes para o online. “Só vale a pena você ser a primeira mulher a fazer alguma coisa se, quando você deixar seu cargo, existirem outras, de preferência muitas, candidatas plausíveis para ser a segunda”, disse em entrevista ao Daily Beast. Leia mais.

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