O retrato da violência nas buscas online

olga skull

[ATENÇÃO: Post com linguagem explícita de violência]

Checar as estatísticas deste site, como o número de visitas diárias e de onde vêm esses leitores, é algo que faço com frequência. Conforme o blog foi acumulando posts, – e, muitos deles, sobre violência conta a mulher – essa xeretada passou a me trazer desconforto, choque e medo.

Existe uma seção onde dá para conferir os termos de buscas usados pelos usuários que os levaram às nossas páginas. E qual não foi a minha infeliz surpresa quando notei que alguém chegou até a Olga pela procura “como estuprar uma menina e pegando na rua”? Foi a primeira vez que vi algo relacionado à violência sexual contra a mulher ali, mas tampouco foi a última. Tirei um print. O que será que essa pessoa pensou ao cair em um blog que tem como uma das bandeiras justamente a luta contra a violência sexual?

Busca violencia 06

De lá para cá, fui colecionando as barbaridades que ali apareciam. Inspirada pelo Women Under Siege, projeto de jornalismo investigativo que luta contra o estupro em zonas de conflito, decidi também transformar essas informações em post. Divido aqui as buscas de internautas que mostram como o estupro e o assédio é visto não apenas com naturalidade, mas como algo estimulante. Há ainda citações de pedofilia: as “novinhas”com que fantasiam são, na verdade, crianças de 10, 11 anos.

O “interessante” da internet é que ela revela o comportamento – e até os pensamentos íntimos – das pessoas. Não é possível saber com certeza se elas querem se excitar, se são pesquisadores (!), psicopatas ou criminosos em potencial. Mas o material que recolhi é uma demonstração de que a agressão sexual contra mulheres e crianças é, de várias maneiras, algo bastante próximo, que está em mais lugares do que imaginamos. 

“Talvez você pense que se trata mais de fantasias (tanto masculinas, quanto femininas) do que de experiências reais. Mas é importante termos consciência de que isso é o que está na mente das pessoas. Esses são os pensamentos que algumas delas conseguem controlar só até chegar na internet, onde poderão procurar mais informações a respeito. São ideias e impulsos que mal se contêm”, escreveu Lauren Wolfe, diretora do Women Under Siege.

Existem fetiches envolvendo dominação e que não deixam vítimas. Mas não é o que essas procuras revelam. O que elas descrevem são crimes. E muitas demonstram uma intenção de torná-los real: buscam por dicas e informações de como a violência deve ser cometida. Ainda assim, poderia ficar só no âmbito da imaginação, mas sabemos que não é o caso: como vocês podem ver na seção de depoimentos do Chega de Fiu Fiu, são agressões bastante comuns. E aí, percebo que não à toa essas pessoas chegaram aqui.  

Abaixo, as buscas em seus termos originais. 

Estupro

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Assédio sexual

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Pedofilia

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