As vezes em que a Copa foi cruel com elas

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Obras no Itaquerão viram endereço de exploração sexual infantil em São Paulo
As denúncias feitas à CPI da Exploração Sexual Infantil afirmam que aliciadores estão oferecendo serviços sexuais de garotas com idade entre 11 e 17 anos para os operários da obra.

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A reação de uma mulher diante a eliminação da seleção inglesa
Um estudo da Universidade de Lancaster intitulado “A Copa pode estar associada ao aumento da violência doméstica?” mostrou que o abuso aumentava em 26% quando o time da Inglaterra ganhava ou empatava. Quando perdia, a violência crescia 36%.

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Quem contará os estupros na Copa do Mundo?
Depois que uma tentativa de estupro cometida por um estrangeiro foi mal apurada, mal divulgada e até relevada por alguns veículos de comunicação, Jarid Arraes pede: “exponham a realidade de violência sexual que a Copa do Mundo proporciona. Durante um evento tão impactante, onde tantos olhos estão voltados para o nosso país, há outras coisas mais importantes além de contar gols”.

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Isabela foi a única menina a se apresentar na abertura da Copa
Em um determinado momento da cerimônia de abertura da Copa, 64 crianças com bandeira das 32 seleções da Copa tomaram o campo, onde simulavam fazer embaixadinhas. Apenas UMA delas era menina. “O feito foi celebrado pelos comentaristas, todos homens, como uma vitória. E isso é só mais um dos exemplos da abordagem machista e sem noção que parece permitida ao esporte, por aqui”, escreveu Mari Messias.

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Lugar de mulher é na Copa
Teve Copa. E teve essa excelente pesquisa feita pelo portal Impedimento, que expõe e analisa algumas das matérias mais machistas e “galanteadoras” do jornalismo brasileiro quando assunto é mulher no futebol.

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#NãoMeAjudaLuciano: por menos estereótipos da mulher brasileira
“A exploração sexual diz respeito sim à objetificação da mulher, do olhar tão disseminado de que a mulher existe para a satisfação do homem, que ela precisa ser bonita para ser ‘admirada’, precisa ser sexualizada para dar prazer ao homem, para citar apenas dois estereótipos que as brasileiras carregam”, afirma a repórter do Brasil Post Gabriela Loureiro sobre o convite de Luciano Huck a solteiras cariocas que queriam arranjar “o gringo dos sonhos”. Mulheres, fiquem com os gringos que quiserem, se quiserem. Desejos e decisões pessoais não devem ser justificativas para que formadores de opinião reforcem e propaguem estereótipos.

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Meninas em Jogo
Durante três meses, na jornalista Andrea Dip e o quadrinista De Maio percorreram estradas do Ceará em busca da teia da exploração sexual de meninas para a Copa.

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Copa do Mundo, torneio de homens?
“Que linha imaginária as exclui da imagem tão masculina da Copa do Mundo, se são tantas e em posições tão essenciais à realização do megaevento?”, questiona a autora Marília Moschkovich. “Não veremos as mulheres que ficarão em casa com as crianças enquanto os maridos jogam futebol, assistem futebol, comentam futebol. Não veremos as mulheres trancadas na cozinha fazendo a pipoca para a família inteira, nem veremos as mulheres lavando louças enquanto o resto da casa sai às ruas para comemorar vitória com vuvuzelas de todos os tamanhos e cores. Não veremos as mulheres que trabalham nas empresas patrocinadoras ganhando 70% do salário de seus colegas homens. Nem veremos as que deixaram de ser promovidas porque desejavam um dia ter filhos. Não veremos as meninas oferecidas como produto em serviços sexuais.”

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Machismo: e se fosse um pedreiro?
Dois torcedores gringos beijaram duas repórteres durante transmissão ao vivo de matérias. “O assédio é uma questão de poder, de lembrar às mulheres que somos ‘apenas’ mulheres. Por isso ele é humilhante, indigno, violento – ainda que venha na forma de um beijo com risadinhas”, critica a jornalista Marília Moschkovich.

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Copa do Mundo 2014: publicitários apostam em campanhas de TV sexistas (em inglês)
“É o sinal de que um torneio futebolístico está próximo: propagandas em massa retratando mulheres como estraga-prazeres que detestam esportes e homens como tolos que só querem saber de gols e peitos”, diz o jornal Independent.

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A mulher brasileira existe, mas não para satisfazê-los
“Uma amiga foi assediada na rua por estrangeiros que vieram para a Copa. Outro estrangeiro achou por bem agarrar e beijar uma repórter, enquanto ela trabalhava, de forma que ela não teve sequer escolha se queria ou não aquele contato físico. No clipe oficial da Copa, o foco da câmera na bunda de passistas que rodeiam o cantor estrangeiro dão uma pista de onde vem a ideia de que o corpo da mulher brasileira, especialmente da mulher negra, existe para ser admirado. Está ali à disposição”, escreve Aline Valek.

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Arte: Irina Bogos

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